Conta uma lenda, que no começo do mundo, os animais perguntaram a Zeus, quem deveria ser o rei.
A honra coube ao leão. O que é lógico, pois a sua força, coragem, aspeto nobre e feroz eliminavam, logo à partida, qualquer concorrente.
As rãs também se apresentaram diante do trono do leão, coaxando entusiasmadas, para lhe prestarem homenagem. Mas sua Majestade, o leão exclamou:
- Eu, vosso rei? Tirem daí a ideia! Eu quero reinar sobre os animais dignos desse nome. Não governo pequenos seres, feios como vocês, que vivem na lama e perturbam o silêncio da noite. Mais me valia ser rei das aranhas, dos escaravelhos ou até das lombrigas… Vão-se mas é embora, vá!
Não é possível imaginar a humilhação das rãs perante estas palavras. Regressaram ao charco, em silêncio e, se tivessem rabo, tê-lo-iam metido entre as pernas. No dia seguinte, muito abatidas, procuraram uma solução para o problema que as atormentava.
- Queridas amigas e irmãs - disse uma -, o modo como o rei dos animais nos tratou foi triste e indecente.
Precisamos de ter alguém que nos comande, que nos represente. Um rei só para nós: o rei das rãs!
As Mais Belas Fábulas de Esopo, Col. Grandes Ilustradores da Escola Russa, Civilização Ed.